No passado dia 22 de junho, na 1.ª Reunião da Sessão Ordinária de junho de 2026 foi aprovada, por maioria, a seguinte Proposta:
“”Criada em Abril de 1936, através do decreto n.º 25 539, a «Colónia Penal do Tarrafal» tinha como objetivo confesso «recolher os presos condenados a pena de desterro, pela prática de crimes políticos».
Para lá das proclamações, o objectivo era outro: a eliminação física dos opositores políticos do fascismo. No Tarrafal, perderam a vida 32 antifascistas. Sete faleceram logo no primeiro ano de funcionamento do Campo. Dos que saíram e regressaram a Portugal, alguns acabariam por falecer mais tarde, com a saúde arrasada devido às precárias condições vividas naquela prisão.
O Campo de Concentração do Tarrafal, ou Campo da Morte Lenta, formalmente inaugurado a 29 de Outubro de 1936, com a chegada da primeira leva de 152 pessoas, entre estas referimos Joaquim Marreiros cidadão nascido em 1910, natural de Bensafrim, concelho de Lagos, e grumete de manobras no navio Bartolomeu Dias.
Foi acusado de insubordinação, devido à sua participação na ´´Revolta dos Marinheiros´´ de 8 de Setembro de 1936.
A 13 de Outubro de 1936, é condenado pelo Tribunal Militar Especial a uma pena de quatro anos de prisão maior celular, seguidos de oito anos de degredo.
Em Outubro de 1936, embarca para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, inaugurando o chamado ´´ Campo da Morte Lenta´´.
Não obstante sofrer de uma úlcera péptica, as autoridades nunca lhe facultaram qualquer tratamento ao longo dos anos, ´´Quem vem para o Tarrafal vem para morrer´´ era a frase usada pelo carcereiros complementada pela afirmação do médico de que a sua função não era tratar da saúde dos presos, mas passar certidões de óbito, foi o que aconteceu a Joaquim Marreiros que após 12 anos de cativeiro em terríveis condições prisionais, acabará por morrer a 3 de Novembro de 1948, com 38 anos.
O Campo de Concentração era dividido na parte destinada aos presos, que é cercada com um muro de 200 metros de comprimento por 150 metros de largura, seguidos de estruturas de suporte, no exterior, dedicadas aos guardas e outros funcionários.
No seu interior, ao lado de todo o muro de vedação, há uma vala em "forma de V" com quatro metros de largura e três de profundidade.
Depois das valas, existe um talude de basalto, com três metros de altura acima do nível do terreno.
Em cada canto, e no meio duas taludes, existem torres de vigia, havendo também, nos taludes, uma plataforma para as sentinelas, o exterior do campo era dedicado à habitação dos guardas e funcionamento administrativo e logístico, existindo várias estruturas dedicadas ao funcionamento do campo e aos funcionários.
Para os presos castigados existia um pequeno bloco de cimento com uma estreita frincha, a ´´Frigideira´´, construído no meio do campo e de forma a ficar sob um sol abrasador. Os presos podiam passar longos dias a pão e água, a dormir no chão de cimento e sujeitos a um cheiro nauseabundo por terem de fazer as necessidades fisiológicas no local.
Lembrar o Tarrafal e todas as cadeias do fascismo é imperioso e necessário. Recordar hoje a todos os portugueses e sobretudo transmitir às novas gerações o que foi o fascismo, ao mesmo tempo que é preciso dizer ´´FASCISMO NUNCA MAIS´´.
Considerando que em 2026 passam 90 anos após a criação do Campo de Concentração do Tarrafal e a primeira leva de presos políticos entre os quais se encontrava o Cidadão Lacobrigense Joaquim Marreiros, a Assembleia Municipal de Lagos reunida a 29 de Junho de 2026 delibera:
Realizar durante o ano de 2026 uma sessão pública evocativa do 90.ºAniversário da Criação do Campo de Concentração do Tarrafal, mais conhecido por campo da morte lenta, convidando para o efeito o Presidente da URAP (União dos Resistentes Antifascistas Portugueses).
Dar conhecimento à Comunicação Social e publicar na página eletrónica da AML."
25 junho 2026
23 junho 2026